A encadernação surgiu na minha vida em 2012.
 
No meio do caminho, troquei o nome da marca, mas ela sempre esteve associada às borboletas.
 
A ideia do nome nasceu quando descobri a espécie de duas borboletas que apareceram no meu portão. Curiosamente, uma de cada lado.
 
Tive o privilégio de não apenas observá-las, mas também interagir com elas durante o tempo que decidiram ficar.
 
Eram da espécie Brassolis, possivelmente astyra. Por terem hábitos noturnos e viverem na minha palmeira, raramente as vejo como borboleta. A não ser quando cuido delas desde a fase lagarta.
 
E assim como elas, nossa transformação é intensa. E uma vida que encontra beleza nas pequenas coisas, mesmo em meio aos questionamentos sobre nossa existência e propósito, é algo que pode ser compartilhado. Quem sabe, no papel.
 
As Ástyras me ajudaram a resgatar a curiosidade pela vida. Também ajudaram a construir uma ponte para um relacionamento mais próximo com meu pai.
 
Ambos mudamos. E passamos a observar mais.
 
Observar os ciclos da natureza, os detalhes do cotidiano e os processos por trás das coisas. Essa mudança também transformou a forma como trabalho. Quando aprendemos a observar, a criatividade floresce e a conexão com aquilo que produzimos se torna mais profunda.
 
Hoje, o Jardim de Ástyras é uma pequena marca de encadernação artesanal, com o objetivo audacioso de acompanhar pessoas em suas próprias jornadas através de uma das mais antigas formas de expressão: o papel.
 
E, quem sabe, deixar um legado.
 
Costurar folhas em branco se revelou muito mais significativo e poderoso do que eu poderia imaginar.
 
Obrigada por estar aqui.
 
Sinta-se em casa.
E vamos voar juntos.
 
Camila Mateus.